Começa a ser cada vez mais consensual, junto da opinião pública e não só, a exigência de pedir responsabilidades civis, e até criminais, aos políticos e gestores públicos responsáveis pelo descalabro da economia portuguesa, do Estado e da Sociedade. Não basta a penalização política de perderem eleições – quando perdem! Veja-se o caso da Madeira em que o responsável primeiro pela buraco financeiro ainda ganhou as eleições! É preciso que os senhores que desgovernaram/desgovernam Portugal e nos têm andado a mentir sejam responsabilizados onde lhes dói: na carteira. Pelo menos.
De modo semelhante, é preciso pedir responsabilidade aos políticos e gestores públicos responsáveis pelo actual estado calamitoso do sistema educativo…
A ideia pode parecer absurda, mas tem todo o sentido.
E não venham com a conversa da treta que os responsáveis são os professores e os seus sindicatos!... Esse foi o argumento, usado até à saciedade, pelos governantes socialistas-socráticos para atacar os professores transformando-os em bodes expiatórios do fracasso das medidas políticas por si tomadas e desviar as atenções dos incautos do descalabro para que conduziram a economia, o Estado e a Sociedade.
Os resultados dos exames nacionais, recentemente revelados, e contrariamente à opinião de alguns, são apenas uma pequena amostra da falência de políticas educativas centradas no facilitismo, no laxismo pedagógico e no faz de conta para as estatísticas.
Os exames nacionais não são a radiografia completa do sistema educativo. Não só porque não abrangem o universo de todas as disciplinas e ciclos de estudo, como ainda falta um instrumento que nos permita avaliar o estado dos cursos CEF, Profissionais e EFA, já para não falar nas chamadas Novas Oportunidades. Aqui, nestes sectores, porque não há qualquer instrumento que permita verificar a qualidade da formação, a análise remete-se aos “resultados”, leia-se, às notas constantes das pautas, como se essa avaliação tivesse uma correspondência real com os conhecimentos e aprendizagens adquiridos!... O que de modo algum corresponde à verdade, salvo raras excepções.
Se houvesse uma avaliação externa dos cursos ditos profissionalizantes, feita por exames nacionais, o diferencial entre a avaliação interna e a externa seria ainda muito maior do que acontece nos exames do 9.º ano e do Secundário. Duvidam?... Atente-se, a título de exemplo, nos resultados obtidos pelos poucos alunos dos cursos profissionais que se apresentam aos exames nacionais para efeitos de ingresso no ensino superior, comparando-os com as suas avaliações obtidas no desenvolvimento do curso profissional!... Os resultados são tão catastróficos, dando cabo das médias das escolas, que algumas delas até tentam “influenciar” esses alunos para não se apresentarem aos exames nacionais!...
Como foi possível chegarmos a este estado?... Qual o objectivo escondido destas políticas (des)educativas?... Criar gerações de analfabetos funcionais, cidadãos eunucos politicamente, facilmente manipuláveis e governáveis? Parece que sim! …. Destruir a Escola Pública, arrasando a qualidade da formação, para assim abrir espaço para o negócio privado?... Parece que sim!...
E como inverter este ciclo de facilitismo e laxismo que está a destruir a Escola Pública, se é que já não a pôs tão doente que dificilmente recuperará?... Não tenho resposta… Mas uma coisa sei, é preciso pedir responsabilidade civil, para além da política, aos decisores políticos responsáveis por este descalabro.



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