Sábado, 5 de Novembro de 2011

Nem 8 nem 80!



Ele era reunião de conselho de turma atrás de reunião de conselho de turma, mais reuniões de coordenação disto e daquilo, mais reuniões de grupo, mais reuniões de “nível”, mais reuniões de departamento, mais reuniões com os pais/ee, mais reuniões do pedagógico, mais…

Semanas havia que um professor chegava a ter mais do que uma “reunião” por dia! E para nada!... Na maioria esmagadora dessas reuniões saia-se de lá com a convicção e a certeza que tinham sido uma colossal perda de tempo, não tendo servido para nada!... Eram reuniões para encher o calendário, para encher chouriços, para parecer que se trabalhava, quando o que se discutia era o sexo dos anjos e, acima de tudo, se fazia coacção psicológica sobre os professores, para apresentarem “resultados”, leia-se, passarem os alunos a qualquer custo.

Talvez por influência de um despacho da ex-ministra Alçada recomendando a simplificação de processos e procedimentos e que se realizassem apenas as reuniões estritamente necessárias, escolas há que do 80 passaram ao 8, isto é, que, de um ano lectivo para outro, mudaram de linha, de agulha, e agora nem fazem reuniões, ou só fazem reuniões de conselho de turma para encher chouriços!... Com o argumenta da “simplificação” de procedimentos, acabou-se com a coordenação e supervisão pedagógica, relegando-a, quando muito, para troca de documentos por email!... É caso para se dizer: Nem 8, nem 80!...

Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011

A naturalização do vandalismo escolar


Deve-se aceitar como “natural” e “normal” a vandalização de equipamentos, ferramentas, mobiliário e instalações por parte de alunos com comportamentos de delinquentes juvenis? Ainda por cima quando isso ocorre durante o decorrer das aulas?

A resposta só pode ser uma : NÃO!

Os equipamentos, o mobiliário, as instalações, custaram dinheiro ao Estado, isto é, aos contribuintes. Já basta sermos governados por políticos que malbaratam os dinheiros públicos com parcerias público privadas, submarinos para a pesca do bacalhau, obras de rico da Parque Escolar, buraco da Madeira e tantos mais buracos orçamentais que por aí andam… para depois nos cortarem o salário e roubarem o 13.º mês e o subsídio de férias…. E como se isso não bastasse, ainda aparecem uns delinquentes juvenis, travestidos de alunos, que vandalizam equipamento, mobiliário e as instalações perante a passividade de quem é responsável pela sua educação. BASTA!...

Que educação/formação está a ser dada aos alunos numa escola que tolera estes comportamentos vândalos, que naturalizou o vandalismos e até o bullying?... Será preciso responder?... Parece-me que não!...

Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

"Nós não dizemos uma coisa hoje e outra amanhã!"

27 de Outubro, Porto - Plenário do Sindicato dos Professores do Norte


Vem aí uma tempestade liberal de consequências catastróficas para a Escola Pública!... E não só, é claro!... Este governo fez uma adaptação da velha palavra de ordem de “os ricos que paguem a crise” para “os funcionários públicos que paguem a crise!”… para pagar o monstro de 3000 milhões do BPN, a comissão de 655 milhões da “ajuda” da troika, as parcerias público-privadas, as obras de rico da Parque Escolar, o buraco da Madeira, os submarinos, as pensões dos políticos, etc., etc… Se não agirmos, se não reagirmos, se não exigirmos políticas diferentes, os funcionários públicos e demais trabalhadores serão reduzidos a uma nova modalidade de escravatura e ainda acabam a pagar para trabalhar!...

Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011

Assanhado, é como me sinto!...


Como se não bastasse a espoliação do vencimento, o aumento do custo de vida e a subida dos impostos, temos uma avaliação de desempenho docente que é utilizada como chicote para castigar os docentes classificados de subversivos por … exercerem os seus direitos democráticos, tendo até a lata de se apresentar a eleições, e de abertamente mostrarem as suas discordâncias com o laxismo pedagógico e as incompetências de gestão escolar...

O Estatuto Disciplinar da Função Pública, o chamado – impropriamente - “RDM” da função pública, é de longe muito mais justo e democrático, na garantia que dá aos arguidos, do que este modelo kafkiano da Alçada, herdado da Lurdinhas, que permite a subjectividade, a prepotência, a falta de respeito, chegando-se ao desplante de não só não reconhecer o mérito de quem trabalha como ainda de se punir quem se dedica de corpo e alma ao ensino!... Gr….Gr…Gr….

Que diferença!...

Atente-se neste vídeo da Marinha sobre as Provas de Aptidão Profissional do Curso de Formação de Sargentos Maquinistas Navais, curso de nível III, ou seja, do mesmo nível dos cursos profissionais, da Escola de Tecnologias Navais. Trata-se uma prova igual à que é exigida aos alunos dos cursos profissionais. Mas aqui, na Marinha, não se brinca com coisas sérias. A Marinha não se pode dar ao luxo de ter maquinistas navais, ou outros técnicos, incompetentes, que possuem uma certificação formal que não corresponde ao perfil de saída dos respectivos cursos. Atenção, para os mais distraídos, que estas PAPs da Marinha não são “trabalhos finais de licenciatura”, como alguns “pára-quedistas do ensino” gostam de classificar os projectos das PAPs que se distanciam dos trabalhinhos de Educação Tecnológica do 7.º ano, a que estão habituados!...



Pedir responsabilidades!


Começa a ser cada vez mais consensual, junto da opinião pública e não só, a exigência de pedir responsabilidades civis, e até criminais, aos políticos e gestores públicos responsáveis pelo descalabro da economia portuguesa, do Estado e da Sociedade. Não basta a penalização política de perderem eleições – quando perdem! Veja-se o caso da Madeira em que o responsável primeiro pela buraco financeiro ainda ganhou as eleições! É preciso que os senhores que desgovernaram/desgovernam Portugal e nos têm andado a mentir sejam responsabilizados onde lhes dói: na carteira. Pelo menos.

De modo semelhante, é preciso pedir responsabilidade aos políticos e gestores públicos responsáveis pelo actual estado calamitoso do sistema educativo…

A ideia pode parecer absurda, mas tem todo o sentido.

E não venham com a conversa da treta que os responsáveis são os professores e os seus sindicatos!... Esse foi o argumento, usado até à saciedade, pelos governantes socialistas-socráticos para atacar os professores transformando-os em bodes expiatórios do fracasso das medidas políticas por si tomadas e desviar as atenções dos incautos do descalabro para que conduziram a economia, o Estado e a Sociedade.

Os resultados dos exames nacionais, recentemente revelados, e contrariamente à opinião de alguns, são apenas uma pequena amostra da falência de políticas educativas centradas no facilitismo, no laxismo pedagógico e no faz de conta para as estatísticas.

Os exames nacionais não são a radiografia completa do sistema educativo. Não só porque não abrangem o universo de todas as disciplinas e ciclos de estudo, como ainda falta um instrumento que nos permita avaliar o estado dos cursos CEF, Profissionais e EFA, já para não falar nas chamadas Novas Oportunidades. Aqui, nestes sectores, porque não há qualquer instrumento que permita verificar a qualidade da formação, a análise remete-se aos “resultados”, leia-se, às notas constantes das pautas, como se essa avaliação tivesse uma correspondência real com os conhecimentos e aprendizagens adquiridos!... O que de modo algum corresponde à verdade, salvo raras excepções.

Se houvesse uma avaliação externa dos cursos ditos profissionalizantes, feita por exames nacionais, o diferencial entre a avaliação interna e a externa seria ainda muito maior do que acontece nos exames do 9.º ano e do Secundário. Duvidam?... Atente-se, a título de exemplo, nos resultados obtidos pelos poucos alunos dos cursos profissionais que se apresentam aos exames nacionais para efeitos de ingresso no ensino superior, comparando-os com as suas avaliações obtidas no desenvolvimento do curso profissional!... Os resultados são tão catastróficos, dando cabo das médias das escolas, que algumas delas até tentam “influenciar” esses alunos para não se apresentarem aos exames nacionais!...

Como foi possível chegarmos a este estado?... Qual o objectivo escondido destas políticas (des)educativas?... Criar gerações de analfabetos funcionais, cidadãos eunucos politicamente, facilmente manipuláveis e governáveis? Parece que sim! …. Destruir a Escola Pública, arrasando a qualidade da formação, para assim abrir espaço para o negócio privado?... Parece que sim!...

E como inverter este ciclo de facilitismo e laxismo que está a destruir a Escola Pública, se é que já não a pôs tão doente que dificilmente recuperará?... Não tenho resposta… Mas uma coisa sei, é preciso pedir responsabilidade civil, para além da política, aos decisores políticos responsáveis por este descalabro.

Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

“Os ricos que paguem a crise!”


Quem não se lembra desta palavra de ordem dos anos 70?... Era a palavra de ordem preferida da extrema-esquerda para mobilizar os portugueses contra as políticas de austeridade da época.

Longe estava eu de pensar que, 30 anos depois, esta palavra de ordem me era aplicada!... Não que eu seja um rico!... Mas sim porque neste país à beira mar plantado, nesta pátria que cada vez é menos minha, rico é todo o cidadão que ganha mais de 1000 euros ilíquidos!... Que os outros, os que ganham milhões, são uns “pobrezinhos”, uns coitadinhos, que precisa da esmola dos “ricos” de 1000 euros!

Como chegamos a isto?

Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

Coacção sobre os professores

Dá cá a "nota", pá!


O Carlos, nome fictício, até gosta da escola, mas não das aulas. Como ele diz, se o curso fosse de Desporto, até se calhar iria às aulas. Mas assim não. O curso que frequenta nada lhe diz. Aliás, foi o pai que o inscreveu no curso. Por vontade dele estaria noutro curso, num que não desse grande trabalho, “assim, tipo Novas Oportunidades”, como gosta de dizer. Por isso não é de admirar que prefira passar o tempo no café da esquina, quase junto à escola, entretendo-se em actividades lúdicas com outros colegas do mesmo estilo. Ali podem fumar à vontade que ninguém os chateia; ali podem jogar às cartas que não há Pedagógico que os proíba; ali podem estar muito simplesmente em amena cavaqueira sobre … sobre os assuntos que interessam aos rapazes! Ali, não há professor, ou director de turma, ou director de curso, que lhes “matraquem” a cabeça!

Um dos professores do Carlos, informado do seu poiso habitual, decidiu ir tomar café no intervalo maior da manhã. Lá estava o Carlos, no meio de outros. Tinha acabado de faltar à primeira aula da manhã, porque acordou tarde. E já que iria levar falta, ficou por ali. Assim se justificou. O professor, pacientemente, lá tentou chamar o Carlos à razão, recomendando que fosse para as aulas. A conversa habitual que um professor tem com os alunos faltosos e pouco interessados na escola.

Curiosamente, a conversa que o professor manteve com o Carlos deve ter tocado em alguma corda sensível, porque abandonou o seu grupo do café e foi às restantes aulas da manhã. E durante dois ou três dias lá andou mais ou menos nos eixos, ainda que chegando sempre atrasado às primeiras aulas e de mãos a abanar. E como perde a noite a jogar computador, rara é a aula em que o Carlos não põe a cabeça nos braços e bate uma soneca.

A mãe do Carlos tem conhecimento pleno deste comportamento. Sabe das faltas que o Carlos dá; sabe que ele falta para estar no café com os "amigos"; sabe que o seu filho vai para as aulas sem material e sem caderno diário; sabe que o moço não está minimamente interessado no curso que frequenta; sabe que o Carlos detesta a escola, particularmente as “aulas teóricas”. Apesar disso, e afirmando que vai tomar medidas, nada de concreto faz, dizendo que o filho tem de tirar o 12.º ano e que se o Carlos falta tanto às aulas “os professores é que se devem interrogar porquê”, sugerindo deste modo que a responsabilidade pela fraca assiduidade e aproveitamento do seu rebento é dos professores!...

Por incrível que pareça, na escola onde o Carlos anda, há quem pense exactamente como a sua mãe e atribua a responsabilidade pela fraca assiduidade e aproveitamento aos professores da turma em que o moço está inserido.

- “Se o aluno falta e está numa situação de abandono escolar precoce é preciso saber porquê e o que é que está a ser feito para impedir tal situação” – dizem os burocratas de serviço, partidários de uma visão pseudo-construtivista da educação. E os desgraçados dos professores do Carlos, e de outros Carlinhos semelhantes, lá têm de preencher papelada que justifique, “muito justificadamente”, as razões porque o Carlos falta e não obtém aproveitamento escolar às suas disciplinas, indicando ainda as “estratégias de remediação” para que o menino deixe de faltar, passe a estar atento e a participar nas actividades lectivas, leve ao menos o caderno diário para as aulas, e obtenha sucesso escolar.

O que é isto?

Isto tem um nome. Isto é coacção pura e dura sobre os professores. Isto é assédio moral, ou psicológico, feito com o intuito de “apresentar resultados”, isto é, de se trabalhar para a estatística, de se forçar os professores a pactuar com os Carlinhos deste país, com o objectivo de termos um país de analfabetos funcionais e patetas alegres que se divertem com telenovelas, futebol, fado e música pimba!... Esta coação sobre os professores, consignada no actual modelo de avaliação de professores, em última instância, tem os mesmos objectivos políticos da política educativa da ditadura de Salazar e Caetano: assegurar a reprodução social e a exploração do povo.

Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011

Interessante

Esclarecedora a posição do Conselho Pedagógico do Agrupamento de Escolas D. Pedro I, Canidelo, Vila Nova e Gaia, relativamente ao actual modelo de ADD. É caso para dizer: ele há Conselhos e conselhos!

Tecnicamente uma nulidade e politicamente um desastre

Avaliação de professores : águas muito agitadas e turvas!


É desta forma que Santana Castilho classifica o actual modelo de educação na sua crónica “Um teatro de sombras”, publicada no Publico de hoje. Com a devida vénia, transcrevo o que diz respeito à avaliação dos professores.

"O modelo de avaliação do desempenho dos professores é tecnicamente uma nulidade e politicamente um desastre. Introduziu nas escolas tarefas burocráticas e administrativas que representam, estimo, 40% do tempo activo dos docentes. Só o cumprimento da observação de aulas significa o sacrifício de um grande número de horários completos dos professores eventualmente mais qualificados. A sua lógica substituiu o clima cooperativo, que deve nortear o corpo docente de uma escola, por um espírito de competição malsã. A versão actual supõe (despacho nº 16034/2010 da Ministra da Educação, D.R. nº 206, II Série, de 22 de Outubro) 4 dimensões de actuação dos docentes, desdobradas em 11 domínios operacionais. Estes 11 domínios desagregam-se, por sua vez, em 39 indicadores, referidos a 5 níveis, cada um deles com múltiplos descritores, num total, pasme-se, de 72. Nenhuma inteligência sã suporta a permanência de tamanho monstro. Mas vai para três anos que toda uma comunidade docente é manipulada atrás da tela. E o que é duro de assumir é que tamanha tragédia só permanece em cena porque grande número de actores reescreve sadicamente nas escolas os guiões oficiais, numa psicótica fusão entre abusadores e abusados, entre personagens e actores, entre professores e burocratas."

Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

Sobre o abandono escolar

A propósito do abandono escolar encontrei, na Internet, uma daquelas fichas de definição dos objectivos individuais do professor, já preenchida, com a seguinte proposta de compromisso :

“A redução do abandono escolar

O meu objectivo é ambicioso mas exequível: reduzir a taxa de abandono de tal forma que não mais de 1 aluno por turma abandone a escola. Como tenho 4 turmas, isso significa ser capaz de manter na escola pelo menos 116 dos meus 120 alunos. A minha estratégia para manter esses alunos na escola é através de frequentes contactos com os pais, sobretudo usando meios informais e alternativos, como o telemóvel, o e-mail e o sms. Com o recurso a essa comunicação informal, vou tentar consciencializar os pais para a importância de manterem os filhos na escola. Além disso, estabelecerei contactos com os serviços de apoio social e a segurança social local com o objectivo de procurar apoios adicionais para aquelas duas famílias. Tenciono, ainda, promover a vista à escola de pais bem sucedidos académica e profissionalmente, com o objectivo de conversarem com os alunos sobre a importância que a escola tem na promoção da mobilidade social.”

Texto interessante, não é?

É importante notar que o professor em causa não é director de turma, e não há indicação dos níveis das turmas, deduzindo-se que se trata de 4 turmas do 2.º ou 3.º Ciclo.

Sabendo-se das dificuldades que os directores de turma têm em chegar à conversa, apenas à conversa, com alguns encarregados de educação que não querem saber nada do percurso escolar dos seus educandos, e que muito menos se dignam ir à escola, por mais conveniente que seja a hora de atendimento, não deixa de ser caricata a estratégia que esta proposta adianta para mobilizar as famílias no combate ao abandono escolar!... É claro que não é para levar a sério!....

Obrigar os professores, a título individual, a definirem objectivos nesta área, é tão caricato como obrigar os médicos a definirem objectivos de redução do número de óbitos de doentes terminais, como se os médicos fossem uns Cristos capazes de realizarem milagres de recuperação!...

Como afirma Idalina Jorge no artigo “Abandono escolar precoce e desqualificado”, o abandono escolar é “um fenómeno cujas variáveis não são rigorosamente conhecidas: a tutela acusa os professores, os professores acusam os pais, os alunos acusam os pais, estes os professores que, por sua vez, acusam a tutela”. A resolução do abandono precoce, essa chaga que, no nosso país, apesar de vir a decrescer, atingiu ainda o valor de 31,2% em 2009 (segundo a PORDATA), não pode ser resolvida com essa estratégia de chutar as responsabilidades para terceiros, e muito menos com “estratégias” de mobilização familiar através de SMS!... Os problemas complexos não se resolvem com soluções simplista e muito menos com aspirinas.

Professor no fio da navalha

"Na quinta-feira (hoje é segunda) houve reunião de departamento, na qual se exigiu mais e mais tarefas (reuniões de estudo acompanhado, de professores a leccionarem os mesmos níveis de ensino, de avaliação do programa a implementar no próximo ano lectivo, de grupo de trabalho para organizar fichas para o estudo acompanhado). Estas, e outras, exigências tinham sempre o pressuposto de retaliações no caso de não serem realizadas.

A maioria dos rostos estava atónita: uns desesperados, outros indignados e alguns simplesmente resignados. As mães, impotentes, a verem os filhos sós, o tempo a fugir-lhes, a família na base das prioridades. Umas faziam directas para estarem mais com eles; outras levantavam-se (ou deitavam-se) de madrugada.

Eu tentava conter-me e comecei por perguntar, esforçando-me por não trair a ironia, se não havia horários a cumprir. Responderam negativamente, claro.

«Horários? Não, não há horários.»

A revolta e um silêncio recalcado tomam voz. Contesto. Exprimo indignação. Uma colega manifesta igualmente o seu descontentamento. Só nós, ambas colocadas na escola pela primeira vez. Os «da casa», efectivos na escola, não esboçaram uma palavra. Porquê? Receio das consequências, das ameaças? Por causa da avaliação, para obterem «excelentes» e «muito bons»? Não sei, sei apenas que se calaram. E alguns olharam-me de soslaio, irritados com a ousadia de quem nem era de lá, da professora de «segunda». "

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Apesar de ter tido uma reunião de departamento na quinta-feira passada , o texto anterior, que tomei a liberdade de transcrever, não diz respeito a essa reunião, nem a sua autora leccionou alguma vez na minha escola. O texto é retirado do livro “Professor no fio da Navalha”, de Maria Cecília Campos, professora de Português e Inglês, que nos relata, na primeira pessoa, “a experiência profissional e emocional de quem, como tantos outros professores, seguiu um sonho desfeito.”

Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

As evidências evidentes

Se algum professor desenvolver uma actividade que beneficia os seus alunos e sai da rotina, mas se esquecer de colher “evidências” para provar que realizou essa actividade, segundo alguns burocratas esse trabalho não conta para nada, o professor não fez nada!

Em contrapartida, há outras actividades que dão mais no olho, que já não necessitam de evidências porque “são evidentes”!

Até dá impressão que o mérito e o valor do trabalho de formiga efectuado não conta para nada, contando antes o “parece que” e o “cantar da cigarra”… Como dizia alguém : “o que importa são os resultados”- referindo-se às percentagens de positivas, pois não há exame nacional que valide os resultados “dados”!

Enfim, é tudo uma questão de gestão das aparências. O que importa não é o ser mas o parecer!

Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

A implosão do Ministério da Educação



Joaquim de Azevedo, professor da Universidade Católica e especialista em Ciências da Educação, afirmou, nas jornadas parlamentares de PSD realizadas em Braga nos finais de Janeiro, que "O Ministério da Educação pode ser implodido sem nenhum problema”, sustentando ainda que o ME pode ser substituído por uma agência de apoio e de avaliação das escolas, com ganhos em termos financeiros e de abolição do “controlo ideológico do aparelho de Estado”.

Bom, é uma opinião tão respeitável como outra qualquer. Aliás, há mais pessoas que sustentam esta mesma posição, nomeadamente o Nuno Crato.

Implodir o actual ME pode parecer uma solução radical. Mas se calhar estamos mesmo a precisar deste tipo de soluções que simplifiquem a pesada máquina administrativa da Educação, nomeadamente ao nível das escolas. O centralismo gera centralismo, mesmo ao nível local; a super burocracia do ME gera burocracia nas escolas e leva à criação de estruturas de “gestão pedagógica” que reproduzem as ineficiências do ME actual. Olhemos para a estrutura organizacional responsável pela “articulação e gestão curricular” - os departamentos curriculares - definida no modelo de gestão actualmente em vigor. Há quem considere que estes “departamentos”, que em alguns casos atingem proporções incomportáveis e um número exagerado e eclético de áreas disciplinares, podem “implodir” que não se notava nada. Com efeito, e tirando as tarefas relativas à avaliação de desempenho, os “departamentos curriculares” não são nenhum órgão de gestão com competências próprias, sendo as suas reuniões mais uns “meetings” para comunicar as “informações do conselho pedagógico” e solicitar papelada (planificações, actas, testes, etc…) para os dossiers dos seus coordenadores nomeados pelo director da escola. Podem pois “implodir” que, com toda a certeza, as escolas continuarão a funcionar, os professores continuarão a cumprir a sua missão – e se calhar até melhor! – de formar os seus alunos.

Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

A “Revolução Jasmim” da ESA


Os alunos da minha escola realizaram hoje, como forma de protesto, uma “Reunião Geral de Alunos”, convocada através do Facebook, para apresentar à Direcção da escola um caderno reivindicativo sobre o funcionamento da cantina, o Gabinete de Apoio aos Alunos e a falta de condições de algumas salas, nomeadamente do ginásio, para além de se queixarem de atitudes “prepotentes” de alguns profs. e funcionários.

Ao que tudo indica, este protesto cívico ficou a dever-se ao facto de, segundo alguns alunos, ninguém prestar atenção às suas queixas e lamentações, particularmente quanto à fraca qualidade das refeições servidas na cantina da escola pela empresa concessionária. Não será por acaso que um dos cartazes afixados na escada de acesso à Direcção fazia o apelo “Oiçam os alunos”.

Aluna da ESA lendo o caderno reivindicativo, com o Director ao seu lado.



Director da ESA respondendo às questões colocadas e prometendo intervir.


Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

A carga policial contra sindicalistas


Fim do regime? Desnorte da Polícia?... Provocação gratuita policial ou desobediência policial?... Que valentes que eles são de bastão na mão e pistola na cintura a bater em mulheres e gente desarmada!... Isto já faz lembrar as cargas policiais de outras épocas!...

Sábado, 1 de Janeiro de 2011

Uma boa maneira de começar o ano - Pesca Zen!


Uma boa maneira de começar o ano 2011. Pesca Zen(!) no Cabo Mondego, ou a insignificância humana perante a dimensão do Oceano.

Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

O relatório do GAVE sobre os testes intermédios



Um relatório de leitura obrigatória.



Diz o JN

"As conclusões são do Relatório 2010 do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) e traçam um quadro preocupante quanto às capacidades dos estudantes entre os 8.º e 12.º anos para expressarem por escrito ideias ou conhecimentos adquiridos nas aulas.

A equipa do GAVE avaliou o conhecimento de alunos de 500 escolas secundárias e em 1200 do 3.º Ciclo, nas disciplinas de Matemática, Língua Portuguesa, Matemática A, Física, Química A, Biologia e Geologia.
"Não é um dado novo, nem sequer é um dado exclusivamente nacional. Tem de ser pensado um trabalho de fundo ao nível da superação das dificuldades", disse Hélder Diniz de Sousa, director do GAVE, em declarações à Lusa.
"Mais do que aprender e ser capaz de reproduzir conhecimentos que gera resultados no imediato, é muito importante perceber quais as aprendizagens que ficam por se fazer", acrescentou o responsável que defende uma mudança de atitude por parte das famílias.
"A par da preocupação com os resultados é muito importante estarmos preocupados com o que aprenderam. Se a sociedade fizesse o processo ao contrário, preocuparmo-nos com a qualidade do que se aprende, os resultados apareceriam certamente", explicou.

No relatório do GAVE, mostra-se que
os alunos portugueses têm mais facilidade nas respostas que requerem selecção, revelando mais dificuldade nos itens de construção.

Há menos de um mês, num relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), Portugal surgiu como tendo registado uma evolução "impressionante", aproximando-se da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

O director do GAVE considera não haver contradição entre os dois relatórios. "É impossível estabelecer paralelismos entre um estudo e outro. O PISA é um estudo de longa data, que mostra evoluções com intervalos de tempo consideráveis. Este relatório mostra o diagnóstico do que se passa em concreto, nas nossas escolas, no dia-a-dia", justificou Hélder Diniz de Sousa.
"

Bom ano 2011, na medida do possivel!


REPONE - Reuniões de Porra Nenhuma


A Única do Expresso da semana passada traz um artigo engraçado sobre a doença da reunite aguda que afecta o nosso país - “No país da reunite aguda” – no qual é apresentado um conceito muito giro : REPONE – Reunião de Porra Nenhuma, muitas vezes marcadas pelos “Aspones”, os “Assessores de Porra Nenhuma”. Tratam-se de reuniões sem agenda prévia, ou sem os participantes terem conhecimento da agenda, ou sem os participantes se darem ao trabalho de se prepararem em função da agenda, não se cumprindo horários para começar, não se estabelecendo horários para acabar, e onde predomina a subjectividade.

Se há uma cultura organizacional nacional da reunite aguda, nas nossas escolas públicas, pelo menos em algumas, a situação é ainda pior. Ele é reuniões atrás de reuniões para se discutir o sexo dos anjos; ele é reuniões a demorarem 5 e 6 horas, alegadamente para se discutir problemas pedagógicos, mas das quais saem mais problemas do que soluções! São as REPONE – as REuniões de POrra NEnhuma!...

Diz Pedro Amorim, consultor da Hays Executivre, especializado em Psicologia das Organizações que “uma reunião mal preparada reduz a produtividade da empresa e dos trabalhadores”. Aplicando esta máxima – que não deixa de ser já um lugar comum – às escolas, podemos afirmar que reuniões de conselhos de turma, departamento, conselho pedagógico ou conselho geral, mal preparadas e mal dirigidas redundam numa absoluta perda de tempo e na incapacidade de se adoptar soluções adequadas para os constrangimentos existentes e que nem tão pouco se tem a capacidade de identificar.

Que tal aproveitar a ideia de um director de uma empresa que mandou retirar todas as cadeiras da sala de reuniões, com excepção da cadeira da funcionária a secretariar a reunião? Escusado será dizer que a mensagem foi percebida de forma clara pois as reuniões passaram a ser mais curtas, com os intervenientes a serem mais ágeis e directos, centrando-se no relevante e deixando de lado o acessório. Estamos convictos que se fosse adoptada uma solução deste tipo as reuniões, por exemplo, de alguns conselhos pedagógicos, não duravam as 5 (cinco) horas habituais…e era ver os participantes a serem mais directos, a deixarem-se de homilias e de discutir o sexo dos anjos, e a serem exigentes e intolerante com os membros que adoram ouvir-se a si próprios…

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Um cabaz de Natal governamental para o novo ano 2011!

A Resolução do Conselho de Ministros n.º 101-A/2010, de 27 de Dezembro, “detalha e concretiza um conjunto de medidas de consolidação e controlo orçamental que integram a estratégia de correcção estrutural do défice e da dívida pública, estratégia essa subjacente ao Orçamento do Estado para 2011 e ao Programa de Estabilidade e Crescimento.” Trata-se de um “cabaz de Natal” governamental um pouco atrasado – o dia de Natal já lá foi! – com profundas implicações na Administração Pública, nomeadamente no sector do Ensino.

Em nome da contenção da despesa e da redução de custos, são tomadas medidas como a eliminação das áreas curriculares não disciplinares do EB e a eliminação da área de projecto do 12.º anos, redução do número de docentes através da redução do crédito de horas para o desempenho de cargos e projectos e através da reengenharia dos horários e das turmas, entre outras medidas. Para além, é claro, do confisco de parte do salário dos professores e demais funcionários do Estado.


Como sou patriota e “respondo presente sempre que a Pátria corre perigo”, atrevo-me a sugerir mais algumas medidas para reduzir as despesas com o Ensino, e até aumentar as receitas do Estado :

- Acabar com a gratuitidade do ensino público, estabelecendo propinas que cubram as despesas, segundo a lógica “consumidor pagador”. Para não haver uma reacção social violenta contra esta medida, deve-se estabelecer uma propina no pré-escolar e no básico de 200 Euros por mês. No Secundário, para além de acabar com a treta da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, a propina será de 400 Euros mensais!

- Estabelecer turmas com um mínimo obrigatório de 40 alunos e um máximo de 60.

- Estabelecer um horário semanal para os professores de 35 horas lectivas, desde o início da carreira até ao fim da mesma.

- Restabelecer a estrutura orgânica dos antigos liceus que eram geridos apenas por um reitor e um vice-reitor, não precisando para nada do actual conjunto alargado de assessores e adjuntos.

- Ter a coragem de reduzir os salários dos professores para metade dos valores actuais, em vez do cortezinho de 5%.

- Acabar com os “assistentes operacionais” nas escolas. As suas funções podem muito ser desempenhadas pelos professores, sem remuneração acessória.

Estou convicto que se o Governo tiver a coragem e o patriotismo de implementar as medidas acima sugeridas, o Ensino deixa de ser um buraco negro no orçamento como passa a ser uma fonte de receita para o Estado. Que haja coragem, determinação e patriotismo para implementar estas e outras medidas para que Portugal continue a ser Portugal!


Aviso : Para os que não me conhecem fica a ressalva que as propostas acima apresentadas são meramente satíricas… não vão pensar que ainda sou pior do que o Presidente do Conselho José Sócrates!

Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

Boas Festas!


Um Feliz Natal e um melhor (se possível!) Ano Novo são os votos do Gato que Fala.

Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010

O Pai Natal no último dia de aulas do 1.º Período

Com alguns alunos da turma 10 PTIE
Tinha prometido e cumpri.
Fizemos uma árvore de Natal "à electricista", isto é, utilizando os restos de condutores eléctricos das aulas de PO e que normalmente são deitados fora. E hoje, último dia de aulas, levei uns chocolates para a rapaziada. Depois de cumprirmos as nossas obrigações funcionais, tiramos a foto da ordem para a "eternidade"!... Faltam alguns alunos, uns porque fizerem a gazeta habitual do último dia, outros por participarem nas provas desportivas que estavam a decorrer.





Com alguns alunos da turma 11 PTIE

“Cursos profissionais representam 15 por cento da amostra do PISA”

Este é o título de um artigo do Público, ainda sobre os resultados do PISA. Trata-se de um título que induz, no leitor menos atento, a ideia de que os cursos profissionais, ao estarem encostados aos resultados “positivos” do PISA, estão muito bem e recomendam-se.

Contudo, os alunos dos Cursos Profissionais (cursos regulamentados pela Portaria 550-C/2004, de 21 de Maio), que, segundo a tabela 3 da nota técnica do ME, participaram no PISA, são apenas 417, representado 6,62% da amostra. Meter no mesmo saco os alunos dos Cursos Tecnológicos e dos CEF – o que dá um total de 951 alunos, os tais 15,1% - não está correcto, e é deturpar a realidade.

Por outro lado, tentar tirar ilações, de forma subliminar, sobre a qualidade dos cursos profissionais a partir desta amostra e dos resultados do PISA, além de não ser correcto revela também que há plena consciência da fragilidade qualitativa dos cursos profissionais a funcionarem nas escolas secundárias públicas.

Há cerca de dois anos atrás, aquando da realização do Seminário Nacional “1989-2009 20 anos de Ensino Profissional”, organizado pela Universidade Católica, o então Secretário da Educação Valter Lemos, anunciou a realização de uma avaliação externa dos cursos profissionais a funcionarem nas escolas secundárias. Foi a novidade, tipo “sound bite”, que o governante socialista apresentou ao seminário. Infelizmente, o relatório da avaliação externa – se foi mesmo feito! – nunca foi revelado nem publicado. O que é mau indicador!...

Quem está no terreno, a leccionar turmas do cursos profissionais, sabe muito bem como estão “os profissionais”!... Sabe bem que “os profissionais” são mais encarados como uma via alternativa do secundário, um CEF do Secundário, para onde estão a ser enviados os alunos reportados de mais difíceis e menos valorizadores da Escola!…